Evento costuma contar com um sessão de comédia, mas este ano foi cancelada para que o foco "não esteja nas políticas de divisão".
Correio da Manhã
A White House Correspondent's Association (WHCA) anunciou que cancelou a performance da comediante Amber Ruffin, no jantar anual que reúne os jornalistas na Casa Branca e as autoridades do governo norte-americano.
O jantar, marcado para o dia 26 de abril, é organizado pela WHCA e, segundo manda a tradição, costuma contar com uma sessão de comédia após a refeição, de acordo com o jornal The Guardian. Começando com o antigo presidente Calvin Coolidge, em 1924, todos os presidentes estiverem presentes em pelo menos um jantar da WHCA, exceto Donald Trump.
Este ano, a associação de jornalistas, já em guerra com a Casa Branca devido às restrições à imprensa na Sala Oval, escolheu Amber Ruffin para ser a anfitriã do interlúdio de comédia. A comediante de Nebraska é conhecida por misturar o humor com música e dança, bem como por criticar frequentemente a administração Trump.
O vice-chefe do gabinete da Casa Branca, Taylor Budowich, criticou a associação por dar palco a Ruffin, abrindo uma nova frente no conflito entre os órgãos de comunicação e o presidente.
No sábado, a WHCA anunciou que iria cancelar a performance de Ruffin para que o "foco do evento não esteja nas políticas de divisão", mas em honrar o trabalho do grupo de jornalistas, de acordo com o presidente da associação, Eugene Daniels. A decisão provocou discórdia.
Por um lado, Budowich condenou o cancelamento da atuação da comediante "cheia de ódio", como descreveu o vice-chefe do gabinete, afirmando que a decisão foi uma "saída fácil" para os repórteres. Por outro lado, muitos viram a decisão como uma prova de que a imprensa, em geral, está cada vez mais disposta a acatar os desejos do governo.
Ruffin, vencedora de um Emmy e nomeada para um Tony, começou a carreira como guionista para o programa televisivo da NBC, Late Night with Seth Meyers, conhecido pelo cunho político. Recentemente, a comediante brincou com a disputa entre a Casa Branca e Associated Press (AP) devido à ordem executiva para mudar o nome do Golfo do México para Golfo da América, conflito que expulsou a AP do avião presidencial e da Sala Oval.
"O quê? Agora querem saber sobre 'deadnaming' [utilização propositada do nome errado das pessoas transgénero]?", riu Ruffin, em referência à hostilidade que muitos conservadores direcionam a pessoas transgénero.
Donald Trump tem uma história conflituosa com o jantar de correspondentes. Em 2011, o presidente à época, Barack Obama, virou o seu charme comédico para Trump, que estava no público e preocupava-se com a certidão de nascimento de Obama. O antigo presidente norte-americano chamou o atual presidente de "O Donald" e disse que devia voltar a questões que importam como: "Será que falsificámos a chegada à Lua?".
O jantar em si tem sido alvo de escrutínio. Muitos questionam se uma reunião luxuosa entre a imprensa e o governo, interdependentes mas com interesses distintos, deveria acontecer.
O jornal The Hill decidiu não participar no jantar após a atuação da comediante Michelle Wolf, que o diretor, James Finkelstein, considerou "ofensiva" e "vulgar". "Não há razão nenhuma para participarmos em algo que difama a nossa profissão", explicou Finkelstein.
"Tem sido uma má ideia desde há muito tempo. É uma ideia ainda pior a este ponto", disse o correspondente na Casa Branca pelo New York Times, Peter Baker, ao Washington Post.
Outro repórter não identificado disse que o jantar "nunca pareceu fantástico", questionando se os jornalistas vão "mesmo conviver em smokings e vestidos de gala com membros de uma administração que está a restringir o acesso da impressa".
"Para quê estar rodeado de pessoas poderosas se a única forma delas usarem o poder é mentir ao público, rebaixar a tua profissão e diminuir a emenda na constituição, à volta da qual se construiu a tua profissão?", questionou Ron Fournier, antigo chefe da delegação de Washington pela AP.
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